sábado, 4 de setembro de 2010

[continuação 1.7]

No inicio da carta eu sorri e achei graça por ela ter lembrado do nosso primeiro beijo. Foi lindo relembrar de todo um passado mágico, mas quando eu li que ela ia me deixar, eu não suportei, cada palavra que eu seguia lendo , era uma gota de lágrima que caia dos meus olhos, eu realmente não sabia o que fazer, na carta ela dizia pra eu tentar entender. Mas como  eu poderia  entender? Ela estava me deixando, logo eu que sempre estive ao lado dela, dando  o melhor de mim, todo meu amor, meu apoio, isso não entrava na minha cabeça, eu não conseguiria entender nunca um ato desses, mesmo que pra ela seria a melhor coisa a se fazer, eu não me importava com o meu sofrimento, eu agüentava tudo aquilo por ela, e estava disposta a suportar toda essa barra até o fim. Durante 3 maravilhosos anos ela foi a minha vida, e agora ela está me deixando, é como se minha alma estivesse me deixando, e ficando só o corpo é a mesma coisa que nada, é como morrer.
Eu não conseguia acreditar naquilo, eu estava nervosa, irritada, aflita, uma mistura enorme de sentimentos que eu não sei definir.

Sem pensar duas vezes eu fui o mais rápido que eu pude pra casa dela, talvez ela ainda estivesse lá, talvez se ela me ouvisse desistiria dessa besteira maluca de me deixar.
-Marina! –gritei entrando na casa dela
-Anne, a Marina não está  –respondeu a mãe dela vindo até mim
-Pra onde ela foi? Me fala Marta, por favor! –eu estava agitada
-Querida, se acalma...
-Se acalmar coisa nenhuma! Cadê a Marina? Marina... –chamei por ela, enquanto olhava cada canto da casa
-Anne, ela não está, pára de gritar... –respondeu Régis vindo até mim
-Régis, por favor, me fala pra onde a Marina foi?
-Desculpa Anne, não posso...
-Não pode por que?
-Eu prometi pra ela, que em hipótese nenhuma diria pra ti onde ela está...
-Meu Deus, o que eu fiz pra ela fazer isso comigo? –disse chorosa
- Senta aqui  -disse Régis fazendo com que eu me sentasse no sofá
Eu não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo, ela realmente me deixou, e eu nem se quer entendia bem o por que.
-Anne, tu sabe bem o que a Marina tem passado por causa dessa doença...
-Sim, é claro que eu sei, mas não entendo, por que ela se afasto de mim!
-Não foi só de ti Anne, ela também se afastou de nós, a família dela, dos amigos dela...
-Mas por quê? –perguntei incorfomada
-Porque ela não quer nos deixar com  lembranças ruins dela, ela quer que tenhamos  boas lembranças, dela com saúde, feliz...
-Régis, juro, eu não consigo entender o por que de tudo isso, por que ela não me avisou que ia viajar?
-Porque ela sabia que tu não deixaria ela ir!
-Mas eu não iria impedir, eu iria junto com ela, pra qualquer lugar, ela sabe disso...
-Acontece Anne, que ela  não quer que tu veja ela careca, emagrecendo, e cada vez mais com a saúde precária
-Como assim saúde precária? Até onde eu sei o tratamento estava ajudando
-Não mais, já faz algum tempo...
-Meu Deus, ela não me falou nada  –eu chorava com as mãos no rosto
-Anne, te peço, pela Marina, não tenta procurar ela, vai ser melhor pra vocês ficarem longe por um tempo...
-Era isso que vocês queriam, não é? Me separar dela! –me levantei irritada do sofá
-Não querida, não é isso... –respondeu Marta
-Pára de me chamar de querida, tu sempre me odiou Marta, pra que fingir agora que ela me deixou? –disse pegando minhas chaves
-Calma Anne, não precisa falar assim... –disse Régis
-Não sei como tu consegue me pedir calma...

Eu saí logo de lá, eu sabia que se ficasse mais meio segundo do lado da cobra da Marta, iria sair briga. Por que ela estava dando uma de boazinha comigo? Ela sempre me odiou, não sabia nem fingir direito, tudo que ela sempre quis foi me separar da Marina, e agora ela conseguiu. Tenho certeza que foi ela quem fez a cabeça da Marina pra me deixar.

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